O sonho da minha vida.




   Eu era um pedacinho de pessoa com duas xuxinhas na cabeça quando ganhei o sonho da minha vida...          Foi assim mesmo, me arrastando de levinho pela parede branca da minha casa, tímida,sorria com bochechas rosadas, vi aquele moço grandão que estava sentado na sala de casa apoiando um pé sobre o outro, e com um sorriso tão acalentador e sereno como se quando tudo estivesse desabando, ele estaria lá com seus braços enormes me protegendo da infelicidade do mundo e sorrindo.
   E foi sempre assim, esse mesmo moço sereno me apoiou, me mimou, me acompanhou em qualquer lugar que eu pudesse ir, as vezes fui chata com ele, brava e estupida, mas ele mesmo assim estava lá. Se tornou meu companheiro, e eu a companheira dele, me deu conselhos e ouviu os meus, me balançou nos balanços dos parques até a ponta de todas as árvores, e se eu falasse "mais alto, mais alto" ele fazia isso ser verdade, não tinha erro, ele me deu as bonecas mais lindas, os passeios mais incríveis e os sorvetes mais gostosos, me fez rir de tanto chorar e chorar de tanto rir. Ele me acordou de manhãzinha com bolachinhas de banana e um café com leite delicioso, ah, e sempre sempre com seu sorriso sereno. Ele cantou bem bem alto comigo, ele me ensinou a tocar violão, ele me ensinou andar de bicicleta, me ensinou a ler e a pintar... Ele contava histórias para eu dormir, e quando eu tinha medo ele me abraçava e dizia "ô minha princesa, eu odeio ver você chorar" e então me fazia sonhar.
    Esse moço cujo os braços grandes como asas, tem também as mãos quentes como fogo, e quando eu tinha frio, ele me acolhia em seu colo e me fazia dormir, ele me deu roupas, e me colocou casaco para ir na escola, ele me defendeu sempre, me desviou de muitos buracos e me levantou todas as vezes que eu cai, inclusive fez curativo nos meus joelhos.
     Ele ficou bravo, e quando ficava bravo fazia uma cara de emburrado que eu não conseguia deixar de falar com ele, e quando tentava, me perdia na vida. Ele era muito sábio, sabia onde estava todos os caminhos, e não se perdia nunca, jamais existia medo ao lado dele, também pudera, ele sempre estava tranquilo, até mesmo quando estava nervoso.
    A noitinha ele deitava na grama de casa comigo e via as estrelas, ele me deu os olhos dele para me proteger nas estrelas, ele escutava musica bem alta comigo, e até me punha pra dançar em dias frios e sem graça.
    Ele fazia minha mãe sorrir, e dava gargalhadas junto dela, ele e ela vinham e me davam uma chuva de beijinhos de repente, ah se existia algo mais lindo que ver eles juntos, eu não consigo imaginar.
   Ele me ensinou a caminhar na vida, me ensinou a cozinhar, e me chama sempre que vê algo legal.
   Ele deu cor a minha vida, me girou em parques de diversões, me deu bronca quando foi preciso, se desculpou com uma flor amarela quando eu estava emburrada.
   Pegou em minha mão e me chama de minha loirinha as vezes ao acordar.
   Eu poderia escrever sobre esse anjo por toda a eternidade, mas ele está dormindo agora e tem o sono leve pro caso de eu me assustar a noite e chamar por ele. Sim, ele está sempre atento e acho que está ouvindo o tec tec tec do teclado.
   Ele me deu tudo de mais lindo que alguém poderia me dar nesse mundo, e continua me dando, mas a coisa mais valiosa e mais linda e eterna em todo esse mundo foi o amor que ele carrega com ele e me demonstra todos os dias, o amor não só a mim, mas a todos a sua volta, a natureza, aos animaizinhos, ao mar, aos livros, em tudo que ele carrega consigo... E eu, ainda pedacinho de gente o amo, amo tanto que não cabe em mim.
   Esse homem se chama José Moacir do Santos Filho. Mais conhecido como meu PAI, o MELHOR PAI DE TODO O UNIVERSO.

                                                                                                                                      Lectícia Péttine



    

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