Os meus lúdicos.




 Um belo dia seu super pai te acorda dizendo "Bom dia filha, já é tarde" e você vira a cabeça e abre o olho com desespero, falando com os olhos "NÃO PODE SER!",  o seu pai ri e diz que nunca tinha visto aquela expressão antes, você ri, percebe que foi brincadeira, mas levanta da cama num pulo, dando bom dia aos passarinhos, olhando pro céu azulzinho com os olhos apertados e já emendando mais três pulinhos pra pagar a promessa a São Longuinho para que não chovesse.
  Ah sim, era um domingo lindo, quem mesmo que disse que domingos não poderiam ser lúdicos ?  (sim, foi eu mesmo, infeliz)
  O Lucky meu cachorro foi testemunha da minha animação naquela manhã, eu, criatura da noite e nem um pouco diurna, toda elétrica em uma manhã? Passando pelos postes e tropeçando mais do que o normal, talvez ele tenha pensado "é, ela tomou energético essa manhã", coitadinho, até correu comigo.
  Então, por uns dois minutos sentada na sala e impaciente, olhei a porta e consegui sentir a energia de quem? Sim meus caros, meu querido Zé Pedro que até então conhecia pouco mas sempre genial, e a minha Arte em pessoa como já julga o nome Artemis. Como as pessoas que tem os mesmos pensamentos conseguem equilibrar a energia não é ? Meus amigos que nem conhecia direito mas já me batia um apreço, um amor maravilhoso. Fomos em uma alegria tão imensa, meu super pai, aquele meu pai que as vezes eu não acredito que existe conversando e conhecendo mais os meus amigos junto comigo, e meu irmãozinho lindo também, fazendo com que os meus amigos já se tornassem automaticamente gente de casa, minha gente!
   Chegamos em Itanhandu junto com cavalheiros e bois, e uma multidão de gente, coisas de cidade pequena, aquela musiquinha sutil, balões em formas diferentes e crianças com olhinhos brilhando com tanta informação, gente, muita gente de todas as formas, e eu quase dançando na frente dos cavalos, a boa energia contagia!
  Estávamos já contagiados, confesso que até perdemos 15 minutos por causa disso. Chegamos em "um castelo" ou "uma casa de fazenda" como preferirem, que na verdade era a Fundação Itanhanduense onde a magia aconteceria, quando os portões se abrissem claro, mas enquanto eles não se abriam, eu conhecia o Rámon, que descobri com pouco tempo que era o Tiba também, aaaaah mas que pessoa! Quanta coisa pra absorver e quanta coisa boa ele me falara em tão pouco tempo, e o Renatinho que é na verdade o Renatão não só literalmente, que moço de alma gigante. Ficamos nós sete ali, meu pai, meu irmão, o Rámon, o Renato, o Zé, e a Artemis, e a energia lúdica só aumentou, estava já tão feliz com todas as informações, idéias, criatividade e pensamentos compondo os meus, a boba não saberia o que tinha pela frente ( confesso que nem pensei em saber, o foco no agora é tão grande quando se tem boa companhia que a hora passa e você não pensa nela).
   Artemis minha arte em pessoa logo quando entramos visualizou um piano, minhas limitações com instrumentos necessitam de muito esforço pra aprender um único acorde, mas assim que ela começa a tocar minhas pernas se mechem naturalmente, e eu começo a dançar incansavelmente, e logo em seguida o Zé com muito calor se contagia e dança também, não sei pra quem assistia, mas é tão enriquecedor dançar sem preocupações e logo de cara se ver dançando em um palco com companhia de música e de amigos.
  Rámon com uma aura incrível que se percebe de longe, em seu workshop nos mantém com a atenção em nossos corpos, ele me fez conhecer cada partezinha, a minha respiração tranquila e minha respiração ofegante já era mais controlável, pura magia. Cada exercício de Eugênio Barba  e Meyerhold que pra mim na teoria não estava conseguindo entender nada, o Rámon conseguiu fazer eu entender de uma forma impressionante e com simplicidade, vejam que não adianta uma boa teoria sem um bom mestre. Rámon conseguiu fazer com que todas as pessoas ali presentes sentissem a energia do próximo, conseguissem distribuir sentimentos diferentes e uni-los em um único. Ele conseguiu deixar claro a nossa caixinha de ferramentas, e conseguirmos organizar um pouquinho essa caixa imensa. Simplesmente emocionante, somos indivíduos completamente sociais. Pessoas como o Rámon devem se multiplicar muitas vezes. Quando o Tiba teve que ir, aquele gostinho de quero mais ficou intensamente no ar, eu quero muito mais!!!
   Mas em seguida fomos ao ensaio com o grande Renatinho, mas que diretor!
   Logo mais gente foi surgindo, pessoas incríveis também, no aquecimento o Re conseguiu soltar uma coisa em mim que eu não consigo fazer virar palavras, ele disse "Agora vocês não são mais vocês", e foi fazendo a gente sentir como nossos personagens nos moviam, então a Leticia ficou num cantinho assistindo, enquanto minha personagem fazia do meu corpo, corpo dela. Meu primeiro diretor, um mágico?! Quem poderia imaginar?!!
   O ensaio foi intensamente surreal, meu primeiro ensaio, meu primeiro encontro com essas pessoas queridíssimas. Eu senti o que é viver, o que é sentir, o que é o êxtase da vida. Todas aquelas pessoas que viveram comigo e que sentiram a mesma leveza que eu, todos esses meus loucos, se tornaram os meus lúdicos para sempre.
   Esse domingo, esse pequeno e único domingo, permanecerá para sempre em mim, e toda vez que eu me lembrar dele, meu sorriso vai de orelha a orelha e com risco de dar uma volta na cabeça.
  "É muito simples: O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração"
                                                                                                   Raposa - O Pequeno Príncipe

PS:  Lúdico adj. Que tem o divertimento acima de qualquer outro propósito; Que faz alguma coisa simplesmente pelo prazer em fazê-la.
PS²: O  Rámon infelizmente não está na foto, mas a alma dele está presente ali na energia de cada um.

                                                                                                                                 Lectícia Péttine






   
    

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