O meu anjo anfitrião.






  É estranho estar com uma pessoa e rir com ela horrores em um verão cheio de flores e assim... Na primavera do mesmo ano (também cheia de flores), saber que a pessoa partiu, assim tão naturalmente, sorrindo e tranquilo talvez.
  E é tão forte o modo como ele chegou a sua vida real.  Nessa passagem fez jus a vida terrena, aprontou muito, se apaixonou e se fez apaixonar, deixou pessoas preocupadas e continuava fazendo tudo o que queria, passar vontade não estava em nenhum de seus planos, me contou histórias hilárias, tomou sorvete comigo e ria deliciosamente sempre quando eu dizia que ele era o meu melhor anfitrião. E ele é!

   A vida é tão delicada, mamãe diz que daqui levamos histórias, levamos um pouquinho de cada pessoa que passa por nós, levamos sonhos, levamos sentimentos,  a maioria deles é amor, e não importa que tipo de amor. Ela está certa.
  Sentimos saudade, e vontade de abraçar, sentimos aquele fio de dor que quase sufoca quando alguém se vai, o misto de sensações é tão grande que não sobra espaço para palavras, sobra espaço para silêncio, por dentro o barulho é muito grande acaba por dar dor de cabeça.
   Queria muito poder abraçar minha bisa que pouco vejo, e muito poder abraçar o meu vô, meu anfitrião...  Na verdade dormiu nesse sonho para acordar na vida.
   Tenho certeza que ele não quer me ver chorar mais, alias ele gostava mesmo de rir, era silencioso e barulhento quando precisava, eu desejo que ele onde quer que esteja, esteja sorrindo e tomando sorvete de morango, levantando da cadeira sem problemas e contando todas as suas aventuras com uma energia de menino,

  Eu não tirei nenhuma foto com meu anfitrião, mas ele é como a luz de um dia bonito, ele é agora as brincadeiras cheias de alegria do meu avô, os abraços calorosos da minha vó, a alegria de todos os meus tios e primos, ele é felicidade da minha bisa Rosa... Ele é a paz que vive em nós.
  Obrigada por existir na minha vida meu biso, Seu João... O meu pra sempre anfitrião.



"Quem parte some dos olhos, não do coração" - Renato Carneiro.

                                                                                                                      Lectícia Péttine



                                 

    

Comentários

  1. Que lindo seu texto, Lê. Sei que lá do outro lado ele deve estar bem amparado e feliz por ver sua força. Eu sei que não é nada fácil, mas costumo pensar que a morte é apenas um espaço de tempo, que haverá um reencontro. Nossas almas são imortais, estão ligadas de alguma forma e hão de se reencontrar.

    Forças, minha querida.
    Abração!

    coracaoaflordapele.blogspot.com

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