Individual



Não grita, sussurra.
Como a luta que surra a sua cabeça, talvez até seu corpo...
Não ri, gargalha,
Qual faz e nem percebe, chora por ninguém também...
Entra em casa, acende todas as luzes, fala sozinha, olha as paredes brancas,
Um negócio assim sem pé nem cabeça.

Sente cheiro de flor de plástico,
Olha um balão bem alto enquanto uma água corrente bem morninha vai caindo, e leva tua manhã.
Não briga, não cai, não sabe onde é o seu norte, muito menos o teu sul.

Bolachinhas de água e sal para adoçar a vida, claro, nem sempre temos açúcar para fazer o seu trabalho.
Melancolia com mel e limão.
Tudo é lindo, talvez um pouco escuro, talvez tenha tanta luz, talvez cegue os mais distraídos.
São como garças voando em conjunto num céu cinza.

É bem como ser boêmio em noites vazias e sem ninguém para desabafar em cima da mesa de um bar semi abandonado.
É bem como ser flor e não ter abelhas, moscas ou até mesmo beija-flores para sugar seus excessos.
É bem como ouvir histórias de antigamente numa mesa com pano feito a mão, filtro de água feito a barro, óculos presos a correntes de ouro, e camisas florais.
É quase o sonho sem fim, daqueles que você acorda na metade, sem saber do sentido...

                                                                                                             Lectícia Péttine

Comentários

  1. "A gente nasce e morre sozinho"
    temos que carregar esse fardo do ser sozinho e dessa quase tristeza que chega sempre de mansinho
    e se aninha na gente sem data pra partir.

    Saudades de vir aqui, Lê.
    Beijão, querida.

    eraoutravezamor.blogspot.com

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