O céu de São Paulo é roxo...




Roxo de histeria e risos altos nas madrugadas dançantes...
Talvez, roxo de tanto correr e correr e na maior parte do tempo correr parado...
Roxo de amor, e um tanto roxo de ódio.

O céu de São Paulo é roxo de poluição e é roxo de franqueza...
Também é roxo de animação as sextas e sábado a noite...

O céu de São Paulo não tem rico não tem pobre, o pobre está com o rico nos metrôs, na Av. Paulista, na Consolação, na Av. São João.
O céu de São Paulo é indefinido como suas indiferenças.
O céu de São Paulo é lindo de morrer ao olhar numa manhã ou apenas de relance.

O céu de São Paulo goteja...
Goteja como os barracos das favelas.
Goteja como as águas que caem do chuveiros...
Goteja como as banheiras dos hotéis de luxo.

O céu de São Paulo vive.
Além das luzes da grande cidade,
Além dos gritos indevidos da alta sociedade,
Além do frio dos mendigos da Sé.

O céu de São Paulo não tem ruim ou bom,
Ao mesmo tempo, no mesmo segundo...
Mães voltando do trabalho exaustas enquanto seus filhos saem para curtir sexta a noite,
Pequenas vielas e esgotos nos cantos mais escondidos da cidade,
Crianças jogando pelada no meio da rua,
Ruas paradisíacas e mansões de filme.

O céu de São Paulo é roxo como o roxo dos rostos de chefes bravos,
Roxo como você em um transito da Marginal Tietê,
Roxo como sua felicidade em um mega evento,
Roxo e rápido.

Amigos contam seus trocados no metro
e seus outros amigos tomam champanhe nos bares da Augusta.

Seus amigos nerds, gays, lésbicas, rockeiros, funkeiros, anti-sociais, com cabelo colorido, hippies, regueiros, patricinhas e mauricinhos, rappers, skatistas, loucos, e etc... Eles são todos amáveis como nenhum outro no mundo poderia ser.

O céu de São Paulo é roxo de amor... Mas também é roxo de ódio.
O céu de São Paulo, é tudo.

                                                                                              Lectícia Péttine




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